EL PAIS

O dilema de um futuro encantador, mas um presente turbulento

É praticamente unânime a avaliação de que a Petrobras é um sucesso no longo prazo. O capital, porém, é impaciente.

26/FEV/2014 – CARLA JIMENEZ, EL PAÍS, SÃO PAULO

Ninguém duvida que o futuro da Petrobras é brilhante e que ela está construindo com esmero as bases do seu futuro, investindo em inteligência e inovação para cumprir seus objetivos. Se comparada à estatal mexicana Pemex, por exemplo, que está no centro das atenções do mundo pelo seu projeto de abertura, a brasileira está vinte anos à frente, segundo Cesar Guzzetti, da Gaffney Cline. “Vai levar uns anos para que a Pemex veja os resultados de sua abertura”, explica Guzzetti. “As melhores oportunidades ainda não estão no México. O Brasil é mais concreto”, completa.

Somente o potencial de bilhões de barris de petróleo nos campos do pré-sal saltam aos olhos até dos mais desconfiados. Porém, a estatal brasileira enfrenta um dilema que deve mantê-la na fronteira da eficiência e da desconfiança por algum tempo. Os especialistas no assunto não têm dúvida sobre a viabilidade dos seus projetos. “Na área de engenharia naval e oceânica, vemos um programa muito consistente para novas plataformas, que é a grande infraestrutura para viabilizar o aumento substantivo da produção”, diz Stephen Segen, Professor titular de estruturas oceânica da Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Não se pode garantir o mesmo com as outras empresas de petróleo”, completa ele, que vê uma avaliação desproporcional sobre os rumos da companhia.

Segen reconhece que, ao mesmo tempo em que há um empenho da petrolífera para construer as bases dessa produção, por outro, há um esforço enorme para desconstruí-la do ponto de vista político. “A Petrobras é vista como empresa associada ao Governo”, completa. A perda de valor no mercado é terreno fértil para o ataque de adversários. A mais recente polêmica se refere a uma denúncia de uma empresa de aluguel de navios holandesa (SBM Offshore) de que funcionários da empresa teriam recebido propina para fechar negócios.

O tema ganhou o Congresso brasileiro, com deputados, inclusive da base aliada, pedindo para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar as informações. Disputas partidárias e suspeitas à parte, o senso comum entre investidores é de que a empresa é interessante, mas não é boa para o curto prazo. “Como investidor, eu só colocaria dinheiro na empresa se a visse tomando decisões de desinvestimento, que garantisssem retorno no curto e médio prazo”, diz Leonardo Maugeri, ex-presidente da petroleira italiana Eni. Para ele, há ativos que a empresa poderia se desfazer tanto dentro como fora do Brasil.

Maugeri conta que o sentimento dos donos do capital que poderiam negociar ações da Petrobras é sempre o mesmo. “Ela é muito boa para o longo prazo, mas enfrenta tensões no curto prazo. Por isso ela precisa de um comportamento mais agressivo”, afirma. Ele lembra, ainda, que o preço do petróleo tende a cair no futuro, o que exige uma tomada de decisões rápida.

Jean Paul Prates, da consultoria Expetro, reconhece que as ações da Petrobras são indicadas para investidores mais conservadores. “Ele pode ficar meio ano esperando a valorização”, diz Prates. O especialista acredita que a empresa, por exemplo, será capaz de reduzir o endividamento este ano seguindo seu plano estratégico, o que naturalmente vai garantir ganhos aos papeis do grupo.

Prates também acredita que há um exagero na leitura sobre a companhia. “As pessoas falam mal, mas ninguém vaticina o seu fracasso. Só isso é motivo para acreditar”, conclui.

 

Matéria original http://brasil.elpais.com/brasil/2014/02/26/economia/1393450618_935544.html

Frade field map

Tribunal Regional Federal inocenta Chevron de crime ambiental

Executivos da empresa também ficaram livres da acusação de omissão em vazamento na Bacia de Campos

NONATO VIEGAS (Revista Época)
28/08/2015

O TRF da 2º Região (Rio de Janeiro e Espírito Santo) inocentou nesta quinta-feira (27) a companhia petrolífera Chevron e seus executivos no Brasil das acusações de crime ambiental e omissão pelo vazamento de 3,7 mil barris de óleo, em novembro de 2011.

O acidente ocorreu no Campo de Frade, na Bacia de Campos. Segundo o advogado Nélio Machado, que defendeu a petroleira americana, a justiça entendeu que não houve crime ambiental. “Não se provou a morte de um peixe sequer em decorrência do vazamento”, disse.

Segundo ele, os executivos cumpriram os protocolos, desde a contenção até avisar imediatamente autoridades após a constatação do derramamento.

Em 2013, a Chevron assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público e órgãos do governo federal em que se comprometeu a compensar danos causados.

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Justiça encerra ação contra Transocean e Chevron por vazamento de petróleo na Bacia de Campos

01/10/2013 – 18h40 – Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – Ao homologar hoje (1º) o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado no último dia 13 de setembro entre a Chevron do Brasil, a Chevron Latin America, a Transocean Brasil e o Ministério Público Federal (MPF), o juiz da 1ª Vara Federal do Rio de Janeiro, Raffaele Felice Pirro, extinguiu as duas ações civis públicas movidas pelo MPF contra as companhias, que somavam indenizações no valor de R$ 40 bilhões. As empresas foram apontadas como responsáveis pelos vazamentos de petróleo ocorridos no Campo de Frade, na Bacia de Campos, em novembro de 2011 e em março de 2012.

A homologação não extingue, entretanto, a ação criminal movida pelo MPF, que está em análise, em segunda instância, no Tribunal Regional Federal (TRF), aguardando parecer sobre a aceitação ou não da denúncia criminal. “O processo criminal é independente do civil”, salientou em entrevista à Agência Brasil a procuradora da República, Gisele Porto.

Gisele recorreu da decisão do juiz Marcelo Marques de Araújo, da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, que rejeitou, em primeira instância, a denúncia formulada pelo MPF contra a companhia petrolífera Chevron, a operadora de sondas Transocean e 17 funcionários das duas empresas.  Caso o TRF aceite a nova denúncia,  Gisele Porto informou  que começará o processo criminal para julgar se a Chevron é culpada ou não pelos acidentes no Campo de Frade.

O TAC prevê  que além do cumprimento de exigências feitas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pela  Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Chevron deverá empenhar mais de R$ 95 milhões em medidas ambientais compensatórias pelos vazamentos de óleo.

O montante se refere, segundo  Gisele Porto,  a medidas que ainda vão ser definidas, ou seja, “que dependem da elaboração de projetos ambientais para  serem aprovados pelo MPF e pelo órgão ambiental, o Ibama, para que eles sejam executados com esse dinheiro”. O não cumprimento de qualquer exigência que conste do contrato implicará em multa diária para a Chevron de R$ 1 milhão. A partir da data de homologação do TAC, a empresa terá 60 dias para apresentar um plano de empenho dos R$ 95 milhões.

CCEE: capacidade eólica no Brasil cresce 113% em 12 meses

Sindicato patronal quer manter bom ambiente de investimentos eólicos no RN

Seern quer aproveitar liderança no estado na fonte para que ele sirva de referência

06.05.2015, Fonte: Pedro Aurélio Teixeira, da Agência CanalEnergia, Notícia Exclusiva

A situação especial que o Rio Grande do Norte apresenta, com 2 GW de capacidade eólica instalada, fez com que os agentes empresariais do estado efetivassem o Sindicato das Empresas Operadoras, Geradoras, de Transmissão, Comercialização e Distribuição do Setor Energético do Estado do Rio Grande do Norte. Criado em 2012 e efetivado este ano, o SEERN vem com a missão de preservar o bom ambiente de investimentos do setor no estado. De acordo com Jean-Paul Prates, presidente do sindicato, a intenção é manter o Rio Grande do Norte na vanguarda dos bons resultados obtidos até hoje. Ele prega a integração entre os empresários potiguares do setor, em busca do crescimento sustentável. “O sindicato está capacitado para integrar o mundo empresarial e obviamente defender os interesses da indústria do estado”, explica.

A ideia é que como o estado tem largado na frente com a fonte eólica desde quando ela foi oferecida em leilões, ele deve ser visto como parâmetro. Mesmo sendo economicamente um estado pequeno, no que diz respeito a energia eólica o retrato se inverte. Cerca de 80% da matriz do estado é de energia dos ventos, maior que a de muitas regiões do mundo. “O que acontece lá pode acontecer em outros estados, tanto o que de ser evitado como o que pode ser aprimorado”, revela

Prates conta que o sindicato já foi apresentado em reunião ao governador Robinson Faria (PSD), já que no governo estadual estão os pleitos mais próximos do Seern. Questões envolvendo licenciamento ambiental, como a possibilidade de agilização e tramitação de projetos estão na pauta de pleitos do Seern. Prates também quer um levantamento de áreas que estejam predispostas para receber empreendimentos de outras fontes e as que não estejam.

Outros temas de interesse do setor também foram relacionados na reunião, como a atualização dos atlas eólico e offshore do estado, uma cartilha de investidor da região, além de projetos para irrigação em comunidades rurais por meio de fontes renováveis.

Ele conta que o sindicato também será apresentado ao Ministério de Minas e Energia. O sindicato será composto por empresas que atuam na área de geração, transmissão e distribuição de energia, bem com os fornecedores vinculados. Empresas que participam da cadeia energética, mas que já tenham representatividade, como as construtoras, não deverão se filiar ao sindicato.

Brasil ainda segue entre os dez países que mais investem em energia limpa

Ranking foi apontado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

07.05.2015, Fonte: Por Caroline M., da Energia Nordeste

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) apontou que o Brasil ainda segue entre os dez países que mais investem em energia limpa. O relatório apresentado pelo programa ainda mostra que os investimentos globais em energias limpas aumentaram 17% em 2014 – US$ 270 bilhões ano passado, contra US$ 232 bilhões em 2013.

Apesar do Brasil ainda figurar entre os países que mais investem em energia limpa e renovável, países como a China e Japão puxaram o aumento dos investimentos através de instalações solares.

O programa aponta que a China foi uma das maiores investidoras em energia renovável do ano passado com um recorde de US$ 83 bilhões, aumento de quase 40% em relação a 2013. Os Estados Unidos vem em segundo lugar, com US$ 38,8 bilhões em investimentos, e em terceiro, o Japão, com US$ 35 bilhões e crescimento de 10%. O Brasil ocupa o 7º lugar com US$ 7,6 bilhões em investimentos.

O documento ainda afirma que o mercado em 2014 foi dominado por investimentos recordes em energia solar e eólica, que representaram 92% do total de energias renováveis.

CPFL Renováveis assina carta aberta do Fórum Clima

Com sustentabilidade em seu DNA, companhia enxerga a ação como essencial para o Brasil ampliar sua participação na agenda climática mundial

13.08.2015, Fonte: RP1 Comunicação

A CPFL Renováveis, maior empresa de energia renovável do Brasil, participa nesta quinta-feira (13) da assinatura da Carta Aberta ao Brasil sobre Mudanças Climáticas 2015, do Fórum Clima, organizado pelo Instituto Ethos. O documento tem como objetivo renovar e ampliar os compromissos assumidos na Carta Aberta de 2009 e apresentar ao governo brasileiro propostas consistentes para que o País assuma um papel de liderança na negociação climática mundial.

“A companhia traz a preocupação com a mudança do clima em seu DNA e a geração de energia a partir de fontes renováveis é peça fundamental nessa discussão”, afirma Andre Dorf, presidente da CPFL Renováveis. Um dos objetivos da carta é o estabelecimento de metas para o crescimento das fontes de energia solar, eólica, hídrica e a biomassa. A expansão da matriz elétrica baseada em energias renováveis contribui positivamente para mitigar as mudanças globais do clima ao reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Dentre as metas apresentadas no documento estão a redução nas emissões de gases de efeito-estufa (GEE), a ampliação das fontes renováveis para que represente 50% da matriz energética brasileira em 2030, o aumento da eficiência energética, precificação da compra do carbono, universalização do acesso e uso de energia proveniente de fontes renováveis, adaptação à mudança do clima e publicação anual do inventário das emissões de GEE.

A carta também propõe o incentivo à inovação e à tecnologia para processos produtivos mais eficientes, o acesso a capital para economia de baixo carbono, estabelecimento de um sistema nacional de controle de emissões e estímulo à mitigação e adaptação à mudança do clima nas cidades brasileiras.

Em âmbito mundial, está a defesa da inclusão de um limite de emissões globais de GEE em longo prazo que permita zerar as emissões líquidas globais até 2050, criação de um mecanismo multilateral de precificação de carbono, remuneração pela manutenção e recuperação das florestas e a publicação da Contribuição Nacionalmente Determinada (INDC) contendo metas de redução ou limites específicos de emissões para o período pós-2020.

Sobre a CPFL Renováveis

Maior empresa do Brasil no segmento de geração de energia elétrica a partir de fontes renováveis, a CPFL Energias Renováveis S.A. (CPRE3) tem um portfólio de 81 empreendimentos de geração nas quatro fontes: pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), parques eólicos, usinas termelétricas a biomassa e usina solar, tecnologia em que foi pioneira no Estado de São Paulo, que em abril de 2015, totalizavam uma capacidade de geração de 1,8 GW. A CPFL Renováveis tem ações listadas no Novo Mercado da BM&FBovespa, o mais alto segmento de governança corporativa desde 2013.

Foto: revistagloborural.globo.com

Pequenos negócios recorrem à energia solar com financiamento subsidiado

Desde 2013, o número de edifícios com painéis solares cresceu quase dez vezes, segundo a Aneel

17.08.2015, Fonte: FELIPE GUTIERREZ | Folha de São Paulo

Nos últimos 12 meses, o custo da energia ficou 60% mais caro no Brasil, segundo o IBGE. Mas a conta do hotel para cachorros Vila dos Cães, em Santana do Parnaíba, passou de R$ 1.300 por mês para apenas R$ 210.

O alívio foi resultado dos painéis solares instalados no início do ano.

O diretor da hospedagem, Walter Marquart, 52, conta que os aparelhos para secar os cachorros gastam muita energia e, temendo uma alta da tarifa de luz, decidiu investir na fonte alternativa.

Desde 2013, o número de edifícios com painéis solares cresceu quase dez vezes, segundo a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

A previsão da associação do setor, a Absolar, é que o número chegue a mais de 1.000 até o fim do ano.

A maioria das instalações, cerca de 71%, está em edifícios residenciais. Mas bancos oferecem linhas de crédito subsidiado para pequenas empresas comprarem tecnologia que possibilite captar a irradiação solar.

A instalação na Vila dos Cães saiu por R$ 80 mil, mas os donos só desembolsaram R$ 14 mil.

O resto foi subsidiado por uma linha de crédito do Banco do Brasil a juros menores por se tratar de um projeto que reduz o impacto ambiental do negócio.

Em São Paulo, a agência estadual Desenvolve SP também oferece crédito subsidiado para esse fim.

O presidente da agência, Milton Luiz de Melo Santos, afirma que, além de interessados em gerar energia, ele negocia com cinco empresas a instalação de fábricas de painéis solares.

Já o Simpi (Sindicato da Micro e Pequena Indústria de São Paulo) tem planos para criar centrais de captação para fornecer energia para seus associados.

O projeto prevê que um fundo de investimentos faça aportes para custear a instalação das placas.

Foto: Zé Carlos Barreta/Folhapress

Leilão de Energia – RN e BA não contratam

Mesmo com o fraco desempenho, o RN segue como primeiro colocado no ranking estadual de capacidade de produção de energia eólica

21.08.2015, Fonte: CERNE / SEERN Press

Os resultados do 22º Leilão de Energia Nova (22 LEN), realizado nesta sexta-feira, trouxeram novidades somente para os Estados do Ceará, Maranhão e Piauí, no tocante à energia eólica. 19 parques eólicos foram contratados, totalizando 538,8 MW de capacidade de produção.
Rio Grande do Norte e Bahia não contrataram nenhum projeto, o que garante a manutenção do território potiguar como primeiro colocado no ranking estadual de capacidade de produção de energia eólica (considerando os números totais = parques em operação, em construção e contratados).

O Diretor Setorial de Energia Eólica do CERNE, Milton Pinto, explicou que o resultado é reflexo das reclamações das empresas do setor às vésperas do certame, sobre preços teto apertados frente aos custos crescentes. O valor registrado foi de R$184 por MWh, enquanto o esperado pelo setor era de R$210 por MWh. “O resultado do leilão traduz um pouco o sentimento que havia no setor, que diante dos custos envolvidos, julgou o preço teto um tanto baixo”, afirma Pinto. O diretor ressaltou também que outro fator bastante influente nesse resultado foi o prazo do leilão 22 LEN. “Sendo este um leilão A-3, que na prática é quase um A-2, e tendo pela frente o próximo leilão que será A-5 (em Novembro/2015), entende-se um pouco o recuo dos empreendedores”, disse.

Veja abaixo o quadro da projeção para os dados atuais após o resultado do Leilão:

Leilão 22 LEN em 21/08/2015
Ceará2×18.9 + 2×29,70 = 97,2 MW
Maranhão7 x 30 = 210 MW
Piauí22 + 3×30 + 4×29,9 = 231,6 MW
Total19 Parques eólicos e 538,8 MW

Ver matéria original em: http://cerne.org.br/pt-BR/noticias/leilao-de-energia-rn-e-ba-nao-contratam

Gás Natural – atividade tem de ser revitalizada

Reportagem especial publicada pela edição de domingo da Tribuna do Norte, mostra a trajetória descendente do gás natural no RN e as alternativas apontadas para a retomada na produção.

23.08.2015, Fonte: Tribuna do Norte – Fernando Domingo

A queda de 75% na produção de gás natural, entre os anos de 2000 e 2014, disponibilizado para refino, processamento e venda, assim como a diminuição do volume extraído dos reservatórios do Estado que, no mesmo período, registrou retração de 82,25%, são reflexos de anos de atividade exploratória e da volatilidade do produto. A solução, segundo entidades do setor, seria uma revitalização total da atividade na região potiguar.

As mudanças, inclusive, podem ser incentivadas pela 13ª Rodada de Licitações de Petróleo e Gás, que acontecerá no dia 07/10, no Rio de Janeiro, e ofertará 71 blocos de exploração na bacia potiguar – todos em terra. A opinião é do economista, mestre em Economia da Energia pelo Instituto Francês do Petróleo e presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates.

“O Rio Grande do Norte tem esse problema da produção de gás declinante. Na época da criação do Progás, por exemplo, a nossa produção era quatro vezes maior. E isso não tem relação com Governo do Estado, gestão local, nada disso. Uma bacia madura que está produzindo há mais de 30 anos, tem como tendência reduzir primeiro o gás”, explicou Jean-Paul Prates.

E acrescentou: “Além disso, a maior parte dos investimentos que são feitos na bacia potiguar para revitalização destes poços antigos, são feitos para produzir óleo, principalmente. O gás, então, acaba vindo acessoriamente. Exceto nos casos de campos exclusivamente de produção de gás natural, o não associado. Mas, no Brasil, em geral, a tendência é sempre de gás associado”. Em grandes bacias para exploração de petróleo e gás natural, como a de Campos, na costa Norte do Rio de Janeiro, por exemplo, parte do gás produzido é queimado ainda na plataforma, para auxiliar a alta produção petrolífera. No caso do Rio Grande do Norte, porém, isto acontece de forma reduzida, em virtude da produção ser voltada ao mercado e a venda do produto.

Para Jean-Paul Prates, a queda produtiva do Rio Grande do Norte, “que já é um fato”, foi um dos “fatores determinantes” para emperrar as negociações de renovação do Progás durante este ano, entre o Governo do Estado e a Petrobras. A petrolífera também cobrava uma dívida de R$ 190 milhões, causada por atrasos em abatimentos das taxas de licenças ambientais, que financiavam o programa.

“Não é outra razão pelo qual o Progás teve dificuldades para ser negociado. Não há mais gás suficiente no Rio Grande do Norte, como havia antes, para se fazer a farra do gás incentivado. É preciso acoplar outros elementos neste incentivo para que esse gás possa ser ofertado nas condições que tinha antes”, afirmou Jean-Paul Prates, que declarou ainda “não estar a par de como foi feita a reconfiguração do programa [migrando para o RN Gás], mas que ele precisava de uma reconfiguração completa”.

A opinião é compartilhada pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiern), Amaro Sales, que reiterou a importância do incentivo de gás natural. “Se o Governo não tivesse tomado essa decisão, de bancar o RN Gás+, as empresas seriam fortemente afetadas. E, mesmo com o setor petrolífero passando por um momento não muito atrativo, existe esse novo cenário, com o repasse de áreas para a iniciativa privada, nos leilões”, pontuou.

Leia a matéria completa em: http://tribunadonorte.com.br/noticia/a-atividade-tem-de-ser-revitalizadaa/322452